sexta-feira, abril 28, 2006

H P H

[8 de Abril de 2006]

Estou sentado numa sala de espera de um hospital público. As pessoas que me acompanham estão apreensivas, ora roendo as unhas, ora batendo com o pé e ainda de forma constante fazem-se "passear" pelos corredores em passos curtos (para demorar mais) de cabeça baixa.

A entrada de alguém no serviço de emergência, com apenas 37 anos e com uma paragem cardiaca fez toda a gente estremecer. Observo o pânico na cara de todos os presentes e penso "Quem somos nós neste mundo e porque é que teimamos em controlá-lo". Esta senhora que entrou tem um filho que não aparenta ter mais que 3 anos, ele não percebe o que se passa mas pergunta que espuma era aquela que a mãe tinha na boca. Eu olho-o e de lágrima no olho peço à minha Santa que ele nunca tenha que ter necessidade de perceber o que se passou.

Ainda nesta noite, fala-se da morte de alguém que perdeu um ente querido e eu fujo desses pensamentos como quem foge da chuva num dia de tempestade.

Finalmente fui salvo, pela senhora da limpeza que educadamente me ia contando certos episódios, mas rápidamente desviei a conversa para a intensidade de trabalho enquanto esperava (ansiosamente e assustado) pela pessoa que acompanhei.