segunda-feira, janeiro 02, 2006

Um rapto (quase) à maneira

Já lá vai quase uma semana em que decidi levar a cabo um rapto que correu lindamente. Tudo começou com um jogo de sedução e com um acréscimo de ansia de parte a parte e com um desafio para a escolha do local do rapto, sim o local porque temos que nos adequar aos tempos e hoje em dia ninguém pode ser raptado e mantido refém num local fechado e pouco arejado. Ahh pois, um raptor que se digne lê a constituição e percebe os direitos mais básicos do Homem (amar).

Poucos minutos faltavam para as 00:00 quando cheguei ao local do rapto, pensei que teria de usar a força e por isso preparei-me com o meu super kit de rapto (contém quase tudo o que é importante) mas a "vitima" voluntariamente entregou-se bastando apenas tê-la ameaçado com meia duzia de ferrero rocher's que lhe estragariam a dieta (estava apenas a tentar alimentar a presa).

Cumprida a primeira fase, passei à segunda que foi mostrar o local onde a vitima poderia mais tarde "reclamar" qualquer inconformidade ocorrida durante o acto (a obrigatoriedade do livro de reclamações levou-me a isso). Confesso que nesta fase perdi por momentos a noção de rapto e quase me senti raptado. Mas... quem tinha o kit de rapto era eu e nada o podia fazer mudar.

Amarrei-me à "vitima", enfiei-a (nos) no carro (um austin martin com a classe de um Bond... James Bond) e parti em direcção ao cativeiro (adjectivo de cativeiro: local que me cativa). A viagem apesar de curta foi longa é que nunca demorei tanto tempo a fazer a porra de uma viagem de duas dúzias de kilometros.

Uma vez no local, conhecido por erva morta (lameiro morto) em que a meu ver a única coisa que está morta (ou esteve naquela noite) é/foi mesmo a erva (existe neste nome algo que ainda não percebi porque trata-se da erva preferida dos coelhos e todos nós sabemos a energia que eles têm (tudo menos "mortos")) acabei por me "amarrar" à vitima (para ela não fugir) uma cama de solteiro aconchegada por um lençois de flanela e um edredon, que hora aparecia hora desaparecia, tal era o calor gerado pelos corpos da vitima (vontade de fugir) e do raptor (força para que não fugisse, tal era o valor do resgate).

O rapto correu bem e eu como qualquer raptor do século XXI "obriguei" a vitima a pagar-me o pequeno almoço, não sem antes a ter obrigado a colocar na máquina de lavar os lençois e a tomar um banho para retirar do corpo o suor entre outros líquidos corporais (sim porque com o cheiro podia ter que desistir do rapto e tal como disse anteriormente o valor do resgate era (é) demasiado alto para me dar a esse luxo) gerados durante o sono.

Este é um rapto que guardarei eternamente em minha memória. E hoje, passada quase uma semana, digo de vivo pensamento e penso de viva voz: Vamo-nos "raptar" de novo; vamos ficar "cativos".

1 Comments:

At 10:41 p.m., Anonymous Anónimo said...

Pensar de uma forma e agir de outra é que é complicado, não achas?

 

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